Empresas brasileiras registram quinto aumento consecutivo nas denúncias corporativas e aponta crescimento de 5,4% nos relatos, avanço de assédio e fraude e alerta para queda na qualificação das denúncias
As empresas brasileiras registraram o 5° aumento consecutivo nas denúncias corporativas, o equivalente a 9,8 relatos mensais por mil colaboradores. Os dados são da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Canais de Denúncias, conduzida pela Be.Aliant, empresa de tecnologia referência em soluções integradas de Compliance, Ética, GRC, Privacidade e Regulatório, com base em informações anonimizadas de clientes entre 2021 e 2025.
O volume representa crescimento de 81,5% em relação a 2021 e 5,4% em relação a 2024, e confirma a consolidação dos Canais de Denúncias como instrumentos estratégicos de governança, integridade e gestão de riscos no país. Mais do que o avanço quantitativo, no entanto, o levantamento chama atenção para a mudança no perfil dos relatos.
Os casos classificados como de impacto alto e crítico passaram de 9,7% em 2024 para 11,9% em 2025. O aumento foi impulsionado principalmente por denúncias envolvendo assédio moral, agressão física, assédio sexual, discriminação, fraude e violações às legislações nacionais e internacionais .
Para Cyro Diehl, cofundador da Be.Aliant, o movimento indica maior maturidade institucional, mas também amplia o nível de responsabilidade das empresas. “O aumento desses casos demonstra que os Canais estão sendo utilizados para relatar problemas reais e sensíveis. Isso evidencia o amadurecimento dos programas de integridade, ao mesmo tempo que exige investigações mais qualificadas e respostas consistentes por parte das organizações”, afirma.
Apesar da maior relevância dos temas reportados, a pesquisa acende um alerta quanto à qualidade das informações recebidas. Em 2025, apenas 67% das denúncias possuíam informações suficientes que possibilitasse uma apuração, mantendo uma trajetória de queda observada desde 2021. Como consequência, menos relatos foram confirmados como procedentes.
Segundo Diehl, o cenário não indica falhas nos Canais de Denúncias, mas sim o aumento da complexidade das apurações. “As investigações estão mais sofisticadas e exigem metodologias mais robustas, equipes capacitadas e melhor orientação ao denunciante sobre como relatar os fatos de forma objetiva e completa”, explica.
A denúncia por meio da internet (via páginas de captação online) continua como sendo o meio de registro mais popular, com 71,4% das denúncias. Esse recurso é acompanhado pela denúncia via telefone (19,7%), e-mail (5,5%) e outros meios de captação (3%), incluindo o whatsapp (0,4%).
Outro destaque é o crescimento do anonimato, que atingiu 64,7% das denúncias em 2025. O dado reflete tanto a ampliação do acesso aos Canais quanto o uso por denunciantes que ainda se encontram em estágio inicial de confiança institucional. As denúncias anônimas, inclusive, apresentaram maior nível de qualificação, com 69%, ante 63% das identificadas. Para Mauricio Fiss, cofundador da Be.Aliant, o anonimato continua sendo elemento central da efetividade do sistema. “Ele funciona como porta de entrada para a denúncia. O desafio das organizações é transformar essa primeira interação em confiança contínua, demonstrando que o sistema protege o denunciante e gera consequências concretas”, afirma.
Líderes e gestores são os perfis mais denunciados, com 54,3% do total das denúncias. Eles são seguidos por Prestadores de Serviços (16,8%) e colegas de trabalho, tanto da mesma área (13,1%), quanto de áreas diferentes (9,8%). Clientes representam 3,6% dos denunciados e Liderados são 2,3%, identificando as múltiplas questões que podem existir em relação à hierarquia.
O estudo também aponta mudanças no perfil dos denunciantes. As mulheres responderam por 53,6% das denúncias, consolidando-se como maioria desde 2023. Ao mesmo tempo, partes interessadas externas, como clientes e membros da comunidade, passaram a representar 10,1% dos relatos, reforçando o papel dos Canais de Denúncias como instrumentos de responsabilidade corporativa e alinhamento à agenda ESG.
O estudo completo pode ser visto no link: Link







